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Pé torto congênito: o que é, a quem atinge e quais as formas de tratamento

Mamães, o papo aqui no nosso blog é com vocês. Se o filhote nasceu com os pezinhos virados para dentro, ele pode ter o diagnóstico de pé torto congênito, uma deformidade que acomete todos os tecidos musculares e ósseos abaixo do joelho, criando uma deformidade em um dos pés ou nos dois. 

A doença afeta aproximadamente um bebê em cada 1.000 nascidos vivos e é três vezes mais comum em homens do que em mulheres. Em metade dos casos, a deformidade é nos dois pés.

Batemos um papo com o Dr. Luiz Renato Agrizzi de Angeli (CRM: 159.112), ortopedista da Ortocity especializado em ortopedia pediátrica, sobre o pé torto congênito para esclarecer todas as suas dúvidas sobre a deformidade. Confira!

Qual a causa do pé torto congênito?

Apesar de ser uma das malformações congênitas mais comuns do pé, sua causa não está totalmente esclarecida e pode acontecer em crianças sem fatores de risco.

“Há várias teorias que tentam explicar a origem da deformidade, entre elas: a posição intrauterina, o aumento da pressão dentro do útero, as infecções virais, o tabagismo durante a gestação, as deficiências vasculares e alterações neurológicas, mas ainda permanecemos sem saber a causa exata da doença”, explica Dr. Luiz. 

Provavelmente, há um fator genético associado ao pé torto congênito, já que a ocorrência é 17 vezes maior em parentes de primeiro grau da pessoa que nasceu com a deformidade, seis vezes maior em parentes de segundo grau.

Atualmente, acredita-se que o pé torto congênito é também uma doença/deformidade do desenvolvimento, uma vez que ocorre apenas no segundo trimestre da gestação, por meio de uma possível ativação dos genes “responsáveis” pela geração da deformidade. Por isso, a pesquisa na área genética é um grande foco de estudo atual, com boas perspectivas de avanços do tratamento no futuro.   

Quais são os sinais e sintomas do pé torto congênito?

Dr. Luiz explica que o pé congênito apresenta algumas características logo ao nascimento. “É possível perceber que a parte de cima do pé é geralmente torcida para baixo e para dentro, os músculos da panturrilha são subdesenvolvidos, o pé afetado pode ser até um centímetro menor do que o outro e, em deformidades muito graves, o pé parece estar de cabeça para baixo”. 

É possível identificar a deformidade durante a gestação?

O diagnóstico do pé torto congênito pode ser realizado ainda no pré-natal com o exame de ultrassom, o chamado ultrassom morfológico, a partir da 12ª semana de gestação.  No entanto, a confirmação do diagnóstico só é feita após o nascimento por meio do exame físico com o pediatra e não é necessário nenhum exame de imagem adicional. “Após receber o diagnóstico, os pais precisam procurar um ortopedista especializado em ortopedia infantil para saber as possíveis formas de tratamento, uma vez que há vantagens para a criança quando o procedimento é feito nos primeiros meses de vida”, explica Dr. Luiz. 

Como é feito o tratamento?

Atualmente, o melhor tratamento é baseado no método Ponseti. A técnica consiste em manipulações seriadas do pé seguidas da aplicação de um gesso que vai da coxa até o pé.

As manipulações e as trocas de gesso são realizadas semanalmente, sendo necessárias, em geral, de quatro a cinco trocas para que o pé seja trazido para uma posição adequada. 

A maior parte das deformidades conseguem ser corrigidas com as manipulações e as trocas de gesso, mas, na maioria dos casos, o gesso não é capaz de deixar o pezinho para cima. Nesses casos, é necessário realizar também a Tenotomia do Tendão Calcâneo, que é um corte no tendão de aquiles, atrás do pé, para promover o seu alongamento e trazer o pé para a posição neutra. Esse procedimento faz parte da técnica de Ponseti e pode ser realizado na clínica ou no centro cirúrgico de maneira segura. 

Após a tenotomia do tendão de aquiles, o paciente utiliza um gesso semelhante aos anteriores por mais três semanas. Com a retirada do gesso, é necessário que a criança utilize a órtese de abdução dos pés, que são duas botinhas conectadas por uma barra, que deixam os pezinhos apontando para fora.

A órtese deve ser utilizada 23 horas por dia durante os primeiros três meses. Após esse período, o uso deve ser de 14 horas por dia, preferencialmente nos períodos de sono, até os quatro anos de idade. 

“Nessa fase do tratamento, é importante estar bem próximo ao seu médico. No primeiro mês, as consultas devem ser semanais para que a órtese seja utilizada da maneira adequada. A aderência ao uso do aparelho é fundamental para o sucesso do tratamento”, diz o Dr. Luiz. 

Com o tratamento, a criança consegue ter um pé funcional para andar, brincar, desenvolver-se, praticar esportes e ter uma vida normal. Entretanto, ainda existirão algumas diferenças entre o pé com a deformidade e um pé normal, como o tamanho menor e mais estreito em relação ao pé normal, a panturrilha da perna acometida fica mais fina e a mobilidade do pé com a deformidade é discretamente menor. “Essas características que ficam após o tratamento não devem preocupar os pais. Existem vários estudos que demonstram que as crianças tratadas com o método Ponseti conseguem participar das atividades físicas normalmente ao longo da vida”, explica Dr. Luiz. 

Com qual idade é ideal começar o tratamento?

Idealmente, o tratamento deve ser iniciado com sete a 10 dias após o nascimento, quando, usualmente, é confirmado o diagnóstico de pé torto congênito. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, mais cedo ele será concluído e melhor será o resultado.

Mesmo em casos de diagnóstico tardio o tratamento é iniciado por meio das manipulações e trocas gessadas, porém, nesses casos são necessárias mais trocas de gesso, pois quanto mais tempo o pé fica torto mais difícil é a sua correção.

O que acontece se o pé torto congênito não for tratado?

Como vimos, o resultados do tratamento do pé torto congênito são muito bons, mas se a doença não for tratada, a criança pode ter sequelas graves no decorrer do seu desenvolvimento, como a deformidade dos ossos do pé, o desenvolvimento de artrose, a preocupação com a autoimagem, a incapacidade de andar normalmente, o impedimento do crescimento natural dos músculos da panturrilha e as feridas e calosidades no pé. 

Para o cuidado do pé torto congênito, a Ortocity possui uma equipe de ortopedia infantil composta por especialistas que realizam atendimentos ambulatoriais em nossas quatro unidades, além de fazerem a retaguarda cirúrgica dos traumas infantis.

Dr. Miguel Antonio
Ortopedista | CRM: 37.417

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